quarta-feira, dezembro 15, 2004

Nasceu. Milagre. É saudável.

A menina já nasceu e de saudinha, pesando 3870. Neste momento tem um mês e três dias e para mim continua a ser um enigma. Não sei com quem é parecida, não sei se é bonita e perfeitinha como diz a família... Só sei que chora que se farta, que num segundo está a rir e no outro a seguir a gritar como gritam os amputados a sangue frio. Já sei, já sei: elas não riem como um estado de espírito mas como um reflexo inócuo. Ainda assim, gosto mais desse reflexo inócuo do que do outro reflexo - cheio de significados, claro - em que enruga a testa e fecha os olhos e cá vai disto, um buáááááá de fazer doer a cabeça.

De resto, a verdade é esta, perdoem-me a insensibilidade: é óbvio que sinto algo especial pela minha filha, mas a revolução ainda não aconteceu, o encanto é ainda algo nebuloso e intermitente, a vida continua ao ritmo da urbe e do labor.

Seguirão, em breve, novos capítulos dedicados às avós, ao cocó, ao fulgor do sexo recém-nascido e outras frivolidades da puericultura.

beijos às mamãs e aos papás

quinta-feira, agosto 19, 2004

A Maria João já é mãe

A querida do "pisca.blogs.sapo.pt" já teve a bebé. Muitos parabéns. Agora, queremos saber tudo sobre as noites de sono.

quarta-feira, agosto 18, 2004

A menina está bem...

... graças a deus e à mãe. O pai, às vezes, parece que ainda não se pôs no assunto. E continua por aí a embebedar-se alegremente. Eu sei que isto é altamente censurável. Mas se virem bem é o mesmo que uma despedida de solteiro, só que distendida no tempo.

Por que é que a sociedade há-de desculpar que um gajo ande a levar com mamas nos olhos antes de dar o nó, e acha que um pré-pai não pode fazer umas parvoíces ocasionais antes de ser arregimentado para a ditadura do fraldário?

terça-feira, agosto 03, 2004

SOS

Alguém me ensina como é que agora se faz links no texto e aqui ao lado, na coluna?

segunda-feira, agosto 02, 2004

E aí, miúdas!!!

A canícula parece não ter levado os bons blogues. Vi isto, por exemplo, na Bomba Inteligente e, pronto, gostei muito, é coisa séria:

"A grande filhadaputice é amar, dar tudo, cama, comida, roupa lavada, carinho, elogios e mimos e depois, um dia, dizer que não. Sem grande sentido. Desviar o olhar, deixar de ligar e desaparecer. Se o outro tiver alguma dignidade e auto-estima, sobrevive; se não, fica mal. Muito mal. E o problema, no meio disto tudo, está sempre no outro. Embora não pareça."

terça-feira, julho 13, 2004

Ideias avulsas

O gajo que inventou o cinema de animação de qualidade é um pai ocioso, de certezinha. Não me consigo lembrar de nada que divirta tanto, ao mesmo tempo, pais e filhos, como filmes como o Shrek ou o Nemo ou o outro das galinhas ou o do leão. E o melhor é que um gajo não tem de estar de gatas, no chão, nem a fazer vruuuuuuuuuuummmmmmmmm...

Lentamente, o debate da paternidade mudou de sentido. A questão agora já não é saber como irá sobreviver o jovem individualista, urbano-depressivo, consumidor de pornografia. A grande preocupação, agora, é: sairá saudável? sairá perfeitinho? E a mãe: sairá saudável? sairá perfeitinha?

São coisas que estamos sempre a ouvir. Mas quando são ditas por alguém que se tranquiliza com panelas, como O meu lado esquerdo, o milagre ganha outra credibilidade.

O companheiro Grávido também sente a aproximação do momento e pelos vistos é tão preocupado com as queimaduras solares como eu. Oh Grávido, um gajo é que se tem de preocupar com tudo, não é??

quarta-feira, julho 07, 2004

Futebol no feminino

As mulheres adoram a emoção e as grandes celebrações. Isso resultou claro durante o Euro.

Lá em casa, depois do jogo com a Inglaterra, ainda os homens racionalizavam o resultado e discutiam as substituições, já as mulheres se enfeitavam de "tops" verdes e vermelhos e debatiam pressurosamente se o local dos festejos deveria ser o Marquês ou os Restauradores.

domingo, julho 04, 2004

Regresso com tudo

Só agora dei conta que a 100nada voltou. E logo com um conselho providencial, que me assenta que nem uma luva: cozinhar para acalmar. É tão bom, não é, o milagre dos cheiros, dos sabores...

sábado, julho 03, 2004

Lógica de mãe

A Sofia está com muita dificuldade em comer menos. Já aumentou sete quilos e ainda vai nos cinco meses. Eu estou sempre a fiscalizá-la, a corrigir-lhe a dieta. Ela assente, mas passados cinco minutos está agarrada a um chocolate: diz que não se consegue controlar e que é preferível "uma grávida gorda e feliz do que uma grávida magra e deprimida". O que é que um gajo pode responder a isto?

terça-feira, junho 29, 2004

Sondagem Homem Grávido

Um inquérito levado a cabo pela Marktest concluiu que 99 por cento da audiência deste blogue são mulheres (o restante 1 por cento é o Estou Grávido, claro). Isto significa que falhei claramente no público alvo a que me propus. Ou pode confirmar simplesmente uma desconfiança antiga: as mulheres sempre me perceberam melhor do que os homens. Não pensem que fico triste, minhas queridas. Antes pelo contrário.

Os restaurantes e as criancinhas

Sabe-se que os pais são cegos e mudos e tontos. A primeira prova disso, tive-a aqui há uns meses, ainda estava longe de imaginar o que me iria acontecer.

Nesse sábado remoto, combinei jantar com uns amigos - amigos antigos - num encontro que deveria servir para discutir futebol e para actualizar o anedotário sexual e a vida íntima das nossas ex-colegas de faculdade.

Surpreendentemente, foi fácil conciliar a minha agenda com a preenchida vida marital e proto-marital dos restantes comensais: desta vez, nenhuma das suas namoradas tinha ainda reservado a noite para cinema, desta vez, nenhuma delas se lembrara de marcar um serão de Trivial Pursuit e pipocas (com as amigas delas, claro…).

A coisa parecia, portanto, perfeita demais, simples demais. Não podia ser. E não foi.

À hora marcada, o Nuno, já marido e pai, acabou por aparecer com a mulher e o filho. “Vejam quem eu trouxe!”, atirou orgulhoso, perante a incredulidade dos restantes, que ficaram paralisados a olhar o selvagem que se refugiava no seu colo, aos gritos, puxando-lhe o cabelo.

O que se passou a seguir foi de uma brutalidade inenarrável. O lindo rebento do nosso querido amigo começou por atirar a entrada de “meia desfeita de bacalhau” para o chão, desatando depois num pranto ruidoso e contínuo que pôs todo o restaurante a olhar para nós.

O pai respondia à birra com uma cordialidade e uma calma exasperantes: “Não chores Miguelinho, o Miguelinho é tão bonito”. Nós, por outro lado, tentávamos métodos mais pragmáticos, mas igualmente infrutíferos: “Assim, as miúdas não vão gostar de ti”.

Como se não bastasse o ambiente instalado, o Nuno resolveu ainda dar ele próprio de comer à pestinha, naquilo que pareceu uma prova de técnica, do género “estás-te-a-armar-em-frente-aos-teus-amigos”.

A performance acabaria no entanto por correr mal. O puto não abria a boca, mas o pai forçava-lhe a colher nos lábios, ao mesmo tempo que gritava repetidamente, dando agora sinais de alguma impaciência: “Comes a sopa se fazes favor! Comes a sopa se fazes favor”.

No fim, sobrou sopa para toda a gente, incluindo os clientes que estavam na mesa ao lado. E toda a gente parecia cansada, extenuada, daquela agitação. Corrijo: toda a gente menos o paizinho. O paizinho estava sorridente, parecia que não se tinha passado nada; parecia que o miúdo havia estado todo o tempo a brincar com carrinhos ou a fazer gracinhas inofensivas.

Jurei então a mim mesmo que, se alguma vez tivesse um filho, enquanto ele não fosse civilizado, nunca o levaria a um restaurante, fosse com amigos em sem amigos. Essa coisa de querer continuar a viver como dantes, não faz sentido.

Ou inventam restaurantes “child friendly” ou prometo que comerei em casa nos próximos seis anos.

quarta-feira, junho 23, 2004

Bebés e bactérias, pesadelo de pai

Há vários temas novos nas noites brancas deste incauto homem grávido. Um deles tem que ver com a atitude a tomar face às bactérias e demais bicharada infecciosa.

Eu explico. É reconhecido por qualquer pessoa informada que existem duas teorias sobre a forma de proteger uma criança das doenças:

1) uma defende que se deve ter especial cuidado com focos de contaminação e recomenda, entre outras coisas, lavar várias vezes as mãos, esterelizar a chucha uma vez por hora e recusar a inscrição num colégio;

2) a outra, pelo contrário, acredita que o milagre da imunidade se consegue precisamente por um processo de aquisição de resistências, dando carta branca a todo o tipo de experiências: seja focinhar na terra, lamber o chão ou sexo precoce.

Instintivamente, confesso que me inclino mais para a primeira opção. Mas a segunda, não sendo menos defensável do ponto de vista científico, permite maior comodidade e descanso ao pai e à mãe. Um gajo não ter de estar sempre a dizer "Ana não ponhas a chucha na boca depois de a emprestares ao Rex" parece-me um argumento imbatível.

terça-feira, junho 22, 2004

Prémio "Nome mais estranho de blogue"

Por causa da festa destes bacanos da Causa Nossa (gostava de ir só para ver o Vital Moreira a pastilhar no Lux) lembrei-me do prémio em título, que vai direitinho para as Papoilas que pingam algodão doce.

Dilema estival

Diálogo entre mãe e filha na excelente Bananada de Goiaba.

"- Não posso! para ler temos que ter a luz acesa... a luz acesa vai fazer com que os mosquitos entrem... os mosquitos entram e vão comer as vossas pernas!!!
(é assim que eu justifico coisas que não me apetece ou não posso, fazer naquele momento.")

domingo, junho 20, 2004

Viva la Spaña!

Uma noite a bailar num pátio andaluz, uma mulher de cara levantada, olhando o céu, o corpo sem peso, as pernas descobrindo-se, fortes, morenas, ah as pernas!, a sugestão do olhar, aquele olhar que é sempre para nós, que nos faz o convite impossível, ilusão de sexo requintado. Ilusão de Espanha, de ti, bailadora de Sevilla, ilusão da cigana altiva dos meus sonhos.

sábado, junho 19, 2004

Sexo casual no feminino

Mais Helen Fisher:

P- Em que se baseia para afirmar que para as mulheres o sexo passageiro não existe?
R- Essa afirmação não é minha, mas as mulheres beneficiam menos do sexo casual. Têm mais a perder., este tipo de relação encerra para as mulheres mais riscos, fundamentalmente o de ficarem grávidas, e menos resultados.

Quem está mais grávido, ela ou eu?

É um fenómeno estranho, mas parece que acontece com muitos homens: a minha barriga está mesmo a crescer. A vida é uma coisa demasiado previsível.

sexta-feira, junho 18, 2004

A verdade sobre o amor segundo Helen (e eu...)

Quem quiser saber a verdade sobre o amor não deve perder a opinião da antropóloga Helen Fischer, uma especialista na matéria. Numa entrevista ao EL Mundo, Fisher diz coisas tão desassombradas e rigorosas como esta:

P-É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo?
R- Creio que é possível sentir um profundo afecto por um companheiro com quem se está há muito tempo e ao mesmo tempo estar loucamente apaixonado por um amor romântico com outra pessoa diferente e ainda sentir-se sexualmente atraído por outros indivíduos. Estes três sistemas cerebrais (luxúria, amor romântico e afecto)não estão bem ligados a nível cerebral. Acredito também é que é impossível alguém sentir-se loucamente apaixonado por um amor romântico por mais do que uma pessoa ao mesmo tempo. O amor romântico está associado com a obsessão por uma pessoa, e é impossível ter-se uma obsessão por duas pessoas ao mesmo tempo.

terça-feira, junho 15, 2004

Obrigado, bloggers grávidas!

Tenho aprendido muitas coisas ao ler os blogs de grávidas, de mães experimentadas e de pais, o que remete para a dimensão pedagógica da blogosfera. De grande utilidade, por exemplo, é a Rita, que já passou por essa fase e continua a ter grande sensibilidade para estas coisas da maternidade. Retive, em particular, os seguintes ensinamentos:

1) A grávida tem sempre razão
2) A grávida tem prioridade
3) A grávida tem direito a ter humor variável
4) A grávida está grávida e portanto, tem direito a ser tratada como tal - mimada, alimentada, amada, etc.
5) E o mais importante - a grávida vai ser mãe; está portanto em fase de apaptação a uma realidade indescritível. Deixem-na agora em paz. Depois o(s) filho(s) não lhe vão dar descanso. Nunca mais.

segunda-feira, junho 14, 2004

Concerto dos Pixies, a desilusão

É preciso dizer isto com frontalidade: o concerto dos Pixies foi bom porque ouvir Pixies é bom mesmo se tivermos o Toy a fazer coro. A verdade, no entanto, é que pareceram um leitor de CD, mas dos fanhosos, em alta rotação. Não se pretendia que Black Francis gritasse "Portugal!", ou "Vocês são o melhor público do mundo!", como fizeram, por exemplo, os BEP no Rock in Rio. Nem é essa a sua postura. Mas um concerto ao vivo é mais do que debitar, com os mesmos arranjos do disco, de rajada, 20 músicas. Os Pixies chegaram com uma arrogância que já não faz sentido e limitaram-se a cumprir, sem brilhar, nem musicalmente (notaram-se várias falhas de coordenação), nem fisicamente (apesar daquela serenidade etilizada de Kim Deal).